03/05/2021
Sortelha f**a localizada no concelho do Sabugal, entre Belmonte e a sede concelhia.
Situa-se num esporão granítico dominante, entre o cabeço de São Cornélio e a Serra da Opa, a uma altitude máxima de 786 m.
A sua privilegiada localização resulta de uma escolha estratégica no intuito de dominar todo o espaço envolvente e, deste modo, vigiar e prevenir as invasões inimigas. De facto, Sortelha está localizada numa zona raiana, a cerca de 45 quilómetros da Espanha.
O topónimo da povoação está envolto nalguma controvérsia. Segundo alguns autores a denominação deriva, eventualmente, de um anel, Sortija ou Sorteia, utilizado num jogo medieval, no qual os cavaleiros tentavam enfiar a sua lança. Para Viterbo, linguista, Sortel é um anel de pedras com poderes especiais, semelhante ao anel das feiticeiras. Por outro lado, este signif**ado poderá estar relacionado com o formato circular / ovalado do aglomerado urbano. Para o arqueólogo Marcos Osório, o topónimo poderá derivar da palavra medieval Sorte, pequena parcela agrícola, uma vez que a explicação relativa ao anel não surge nos documentos mais antigos.
O facto de os terrenos de Sortelha não serem muito férteis poderá ter originado a denominação Sorticula, sorte pequena.
A malha urbana foi construída por forma a adaptar-se e à irregularidade do terreno. Entre as suas particularidades destacamos o fraco número de construções, poucos edifícios monumentais, a planta oval das muralhas do castelo e escassos adossamentos à muralha.
O espaço intra-muros organiza-se em torno de um eixo principal, a Rua da Fonte e a Rua Direita, que ligam a Porta da Vila à Porta Nova. Salientam-se dois espaços fundamentais, o Largo do Corro e o Largo do Pelourinho.
As habitações do interior das muralhas são tipicamente beirãs, havendo uma distinção funcional entre os dois pisos que as compõem e um balcão ou escada com patamar. O alpendre é raro.A vila desenvolveu-se a partir de uma ocupação que teve início no século XII-XIII, possivelmente a partir de 1181, época em que D. Sancho I promove o repovoamento. D. Sancho II outorga foral em 1228 e promove a edif**ação do castelo. Neste documento eram mencionadas as condições de vivência neste local, que visavam fixar as populações por forma a defenderem esta zona raiana.
Ao longo dos séculos a estrutura defensiva da povoação sofreu reparações: no século XIII com D. Dinis, em finais do século XIV com D. Fernando e em 1510 com D. Manuel I, que lhe confirmou foral e construiu o Pelourinho.
Apresentando as armas reais, este situa-se dentro do núcleo intra-muros, no Largo do Pelourinho, no sopé do castelo, perto da Antiga Casa da Câmara e Cadeia. Corresponde a um pelourinho manuelino de tabuleiro, semelhante ao pelourinho de Valhelhas e ao de Vila Nova de Foz Côa. Exibe seis degraus octogonais.
A coluna não possui base e o capitel é canelado, com secção circular. Sobre este existe uma peça em forma de losango, com lados curvos. O remate é efectuado em
tabuleiro, originando uma forma de secção circular, devido à sobreposição de anéis em forma crescente, onde as sentam quatro colunelos. No topo encontra-se uma esfera armilar, alongada, atravessada por um espigão em ferro.
O Castelo está classif**ado como Monumento Nacional, desde 1910. A sua situação geográf**a permite-lhe um controlo do vale. É possível que no local existisse um castro pré-romano. Na Idade Média o repovoamento da zona ocorre no século XII com D. Sancho I e em 1228 D. Sancho II outorgou-lhe foral e foi nesta época que terá sido construído o castelo. Corresponde a um castelo roqueiro românico-gótico, com intervenção pontual do manuelino. As muralhas foram construídas tendo por base a técnica de construção que consistia no levantamento de duas
paredes fortes e paralelas, que eram seguidamente cheias com pedra grossa e gravilha.
A cidadela f**a fora do perímetro amuralhado, a sul deste, com uma torre de menagem, de planta quadrada, no centro do recinto. Exibe apenas uma abertura a sul (portal de arco de volta perfeita), três seteiras e merlões rectangulares. Possui ainda duas portas: a Porta do Castelo e a Porta Falsa.
A primeira apresenta balcão mata-cães e, ao lado, as armas reais de D. Manuel I com esferas armilares. Tradicionalmente este balcão é apelidado de Varanda de Pilatos. O perímetro amuralhado da vila apresenta um traçado ovalado irregular. A
muralha assenta, em vários locais, directamente no afloramento rochoso e não possui merlões. Apresenta quatro portas que permitiam fazer a ligação com o exterior: Porta da Vila ou Porta do Concelho, Porta Nova, Porta Falsa e outra Porta Falsa junto ao castelo. Existe ainda uma outra torre, a Torre do Facho, de planta quadrada, desprovida de vãos.
Entre as particularidades do castelo destacamos a ausência de merlões nas muralhas, o torreão de planta circular sobre o adarve, portas com arco quebrado, outras de volta perfeita e a "vara" ou "côvado" (medidas padrão) na Porta Nova. Estas antigas medidas medievais, a "vara" e o "côvado", foram aí mandadas colocar pelo rei. Tinham como função servir de marcas de aferição para as feiras que aqui se realizavam.
Na Época Moderna (séculos XVII-XVIII) começou a desenvolver-se o arrabalde exterior
à povoação, inicialmente no seguimento da saída que ligava ao Sabugal. Posteriormente disseminou-se pelas vertentes e foi-se afastando das muralhas. Desenvolve-se relativamente distante do núcleo amuralhado e é caracterizado sobretudo por solares.
As tropas napoleónicas passaram por Sortelha e, na sequência dos combates que aqui travaram, dinamitaram parte da muralha do castelo. Assim, se estivermos localizados no Largo do Corro voltados para a Porta da Vila é possível observar à esquerda desta uma parte da muralha recentemente reconstruída.
Sortelha foi sede de concelho até 4 de Outubro de 1885.
(Informação retirada do Roteiro de Sortelha.)