22/07/2021
Reflexões que partilho
Saboreia hoje as pequenas coisas. Os restos.
Mais vale um bom resto, que uma má fatia.
No cantar dos pássaros
Na água calma e solitária da piscina, onde só se pode mergulhar depois das 10h, mas o faz as 8h, não para desafiar as leis, mas porque gosta do silêncio.
Esse silêncio, que um dia foi porque o que tinha para dizer, era tão sofrido que não se quis sentir lamentavelmente ridícula a partilhar, mas hoje esse silêncio só quer dizer, que já nada tem para dizer.
Nele, encontrou a sua casa, nele encontrou algo que sente como felicidade,
A ausência de dor.
Agora tudo o que é solitário é maravilhoso para ela
O céu sem estrelas, o céu sem nuvens, o pássaro sozinho, a oliveira que se destaca das outras, a flor que insiste em nascer no meio de kilometros de relva, esta piscina vazia.
Depois da tempestade a bonança.
Esta é para ela a bonança, a ausência de dor depois da dor.
O vento já não sopra ameaçador,
Calou-se ou ela aprendeu a lidar com ele.
A noite quando olha para a lua.
sentada sozinha neste restaurante de hotel, à hora mais tardia, quando olha para a lua , como se ela fosse o reflexo de si mesma, reconheçe nela o que ela mesma é , como se sente.
Sozinha, como ela manchada, mas ainda assim linda.
E nesse encontro solitário e silencioso, sorri porque mesmo se todos ao olhar para as duas as achem tristes, são felizes.
A felicidade só depende delas
Já não esperam aprovação de ninguém, colhem o amor, nas coisas mais simples, no brilho discreto que emanam.
Na sua frente está o seu espelho, ato louco que é desculpável, por ser escritora e dela espera-se atitudes estranhas. Ninguém entende que esse espelho está aqui a jantar com ela , porque nele consegue hoje ver a sua imagem nítida e linda.
Já não vê a imagem retorcida e fria do passado. Hoje essa mulher no espelho levanta o seu copo, ao mesmo tempo que ela sorri para e o seu sorriso é maravilhoso, Representa uma nova era.
Morreu tantas vezes à sua frente, mas agora, a entrada de polvo sabe bem, o vinho tinto que beija os seus lábios aquece o seu coração como sangue novo, a batata doce e o bife de atum, são como carícias que aprecia como se nunca algo de tão bom tivesse comido. A vela que arde no castiçal, põe - lhe um brilho no olhar. O cheiro e o sabor do café, como se nunca antes ela tivesse vivido essa experiência.
É tão velha, mas tão nova.
Como dizem as crianças, morrias e nascias outra vez
Nasceu de novo e desta vez para ser feliz consigo.
Elsa Pires - todos os direitos reservados