20/03/2025
A NOSSA LUTA, O NOSSO ORGULHO
Nós, o Grupo Café do Teatro, e especialmente eu, sempre que surge algo nas notícias ou nas redes sociais, somos alvo de críticas, insultos e até enxovalhados.
A verdade é que começámos este projeto do zero – sem heranças, sem privilégios, apenas com dívidas, empréstimos e muitas noites sem dormir. Tudo o que temos hoje é fruto do nosso suor e dedicação. Muitos falam que tivemos apoios das entidades públicas… Mas a realidade é outra: muitas vezes, fomos os mais prejudicados.
Sempre ajudámos quem precisa, algumas vezes recorrendo às redes sociais, mas muitas outras em silêncio, sem esperar reconhecimento. Fazê-lo é um princípio nosso, algo que nos enche o coração.
Lembro-me bem de como era a nossa vida antes de 2012… Fins de semana com amigos, jantares, festas. Mas quando decidimos mergulhar de cabeça neste sonho, tudo mudou. O lazer deu lugar a noites de trabalho sem fim, a abdicação dos momentos com a família, dos feriados, do Natal, da passagem de ano… Há anos que o nosso réveillon é passado na passadeira do Marina Shopping, e o Natal, entre as quatro paredes do nosso trabalho.
O que muitos não percebem é que negócios como o nosso exigem presença. Não se gerem por telemóvel, não se comandam à distância. Se queremos que funcionem, temos de estar lá, dia e noite.
2020 foi um dos nossos maiores desafios. Durante a pandemia, tínhamos quase 150 funcionários. Enquanto muitos fechavam portas e desistiam, nós lutámos com tudo o que tínhamos – e o que não tínhamos – para garantir que ninguém ficasse sem ordenado. Pagámos rendas, cumprimos compromissos com os bancos, mantivemos impostos em dia. Sofremos, mas conseguimos. Saímos dessa fase sem dever nada a ninguém.
Mas, no final, o que ficou? O rótulo de "Dário, o Chorão". Para ser sincero, nem ligo. O que me importa é a consciência tranquila de quem fez tudo para não deixar ninguém para trás.
E depois, quando me atrevo a apontar algo que está mal, como foi o caso das barraquinhas da Placa Central, vem logo a enxurrada de críticas. Dizem que é desespero por não estarmos lá. Nada disso! O problema não é estarmos ou não estarmos lá. O problema é a injustiça. Não podemos sacrificar-nos tanto para depois sermos prejudicados nas alturas em que poderíamos equilibrar as contas. Temos impostos, rendas, compromissos como qualquer outro negócio.
E mais: a atribuição dessas barraquinhas sem concurso público é simplesmente inadmissível! Não temos medo de competir. Já ganhámos, já perdemos. Faz parte do jogo. O que não aceitamos é que nos tirem a oportunidade de jogar.
No fim de tudo, podem continuar a criticar-nos, a ofender-nos, a tentar deitar-nos abaixo. Mas há algo que nunca conseguirão: fazer-nos desistir. Vamos continuar a lutar! Todos os dias, a cada minuto e a cada segundo, como sempre fizemos.
Vamos continuar a ajudar quem precisa, porque não há maior satisfação do que ver o impacto positivo que causamos na vida de alguém. Ainda há dias estive com o pequeno Gabriel, que, depois da operação, pode finalmente ter uma vida normal. O abraço e o "obrigado" dele valem mais do que mil palavras.
Nos eventos que organizamos, damos sempre o nosso máximo. Trazemos artistas de topo, criamos momentos únicos. E tudo com um único objetivo: fazer melhor, ser melhores, superar-nos sempre.
Não tenham inveja de nós. Nada nos foi dado. O que temos hoje é o reflexo de anos de sacrifício e dedicação.
A todos os que nos apoiam, que compreendem a luta diária que enfrentamos, o nosso sincero obrigado. Vocês sabem o que nos custou chegar até aqui – e sabem que ainda há muito mais para conquistar. 💪
Nós somos o CAFÉ DO TEATRO e temos a certeza de que o povo da MADEIRA tem ORGULHO em nós e no nosso trabalho.
Por fim, não posso deixar de lembrar alguém que esteve connosco desde o primeiro dia: o nosso DJ Marco Camacho. Foi um dos pilares deste projeto, partilhou connosco esta caminhada, e, infelizmente, partiu cedo demais. Mas sabemos que continua presente. Que nos ilumina e nos dá força, sempre.
Obrigado a todos ❤️
Nunca deixem de lutar pelos vossos sonhos.