02/01/2022
O tempo às vezes custa a passar mas, quando acordamos dele vemos que uma imensidão dele já ficou para trás. Foram dez anos que vagarosamente passaram num ápice. E este não era o desfecho esperado nem a despedida que queria ter.
O Café Central teve muitos centrais dentro dele. Muitas coisas mudaram, pessoas partiram (algumas de forma permanente), nasceram outras, existiram sorrisos e zangas, partilhas de momentos extremamente felizes e outros extremamente tristes. Cantamos, berramos, declamamos poesia, comemos e bebemos melhor, abraçamos e beijamos quem nos queria bem e, outras vezes, chamamos para junto de nós aqueles que eram relutantes a entrar. Por isso dizíamos que éramos uma família e na família não é tudo brilhante e cor-de-rosa mas é para onde voltamos quando nos falta o chão.
Nós fomos a família de muitos e muitos fazem parte de nós e, por essa mesma razão, existem laços que não se desatam.
Agradeço a cada um, cada cliente, cada amigo, cada estranho de passagem pelo lar que nos ajudaram a construir.
Agradeço a todos os funcionários que por lá passaram e especialmente aos que lá permaneceram no tempo de sol e na tempestade.
Agradeço à Celeste pelos bons dias que acordavam e arrancavam sorrisos e por aquecer as manhãs. À Alice por nos aquecer o estômago e a alma. À Ana por na sua meninice distribuir mimo e meiguice por toda a gente. À Tatiana, a nossa pequena de coração enorme e gargalhadas contagiantes.
À Maria que no seu mau feitio arrancava muitos risos à noite.
Agradeço à minha irmã e à minha mãe pelo tempo e dedicação e por todo o trabalho que ao longo dos anos suportou o funcionamento do café. Éramos engrenagem.
Vamos com a certeza de que fizemos o melhor que podíamos e sabíamos e que vos demos sempre o melhor de nós!
Cruzamo-nos por aí!