03/05/2022
Já caracterizado como um bairro de classe média e com desenvolvimento considerável, o bairro só perdeu sua tranqüilidade quando foi “invadido” por estudantes da USP (Universidade de São Paulo), na década de 70. O grupo passou a frequentar a área em busca de casas baratas para morar, já que o Governo Militar havia fechado arbitrariamente o Crusp, complexo de alojamentos da Cidade Universitária – também na região oeste de São Paulo. O jornalista e freqüentador Heitor Ferraz resume: “podemos pensar que a Vila era basicamente um bairro de casas e que abrigava moradores de classe média e estudantes — dada à proximidade com a USP. O Empanadas e o Bartolo, por exemplo, eram bares de estudantes universitários e secundaristas.”
Nos anos seguintes, a Vila foi se reestruturando, atendendo às necessidades dos estudantes de comercio, lojas e, claro, bares. Morar e freqüentar a Vila Madá era, então, fazer parte de uma agitação cultural e intelectual efervescente. Além dos estudantes, artistas plásticos, músicos e apreciadores das artes viviam a Vila dos bares, das discussões políticas, dos ateliês, das idéias, do pulso, do ritmo.
Dos anos 90 em diante, a Vila sofreu grandes transformações tanto nos moradores quanto nos freqüentadores, como explica o jornalista: “percebo que houve um boom imobiliário, principalmente nas sossegadas ruas em torno, como a Moras e outras, que começaram a receber prédios baixos, e de luxo, para um público intelectualizado e endinheirado.”
Além disso, a Vila viu a maior parte dos botecos serem transformados em bares modernos, com estilos e preços altos. Heitor Ferraz ressalta também a mudança do público “os próprios frequentadores eram outros — não mais uma juventude universitária, mas trabalhadores de escritórios, uma classe média geral. Talvez esse boom tenha sido consequência da expansão dos bares na rua dos Pinheiros, que já era um point.”, define. O público hoje é formado, principalmente, pelas classes média e alta, que buscam nos “novos” cantos da Vila o charme do passado.