15/02/2022
Vá ao museu. Leve as crianças ao museus! Ensine à elas o valor que a arte tem. A criança precisa observar, vivenciar momentos assim para que na fase adulta sinta prazer de estar em museus e todo o tipo de lugar que ofereça cultura.
“50 anos de arte: Di Cavalcanti” (1971) comemorou meio século de trajetória do artista, reunindo 485 obras. Ainda que não tenha sido a primeira retrospectiva de Di Cavalcanti, a mostra no MAM São Paulo, organizada por Diná Lopes Coelho, então diretora do museu, celebrou a apresentação mais completa de sua extensa trajetória. A exposição explorou a fidelidade temática do artista a diversos traços da população e cultura brasileiras: pescadores, paisagens, músicos, o samba, o carnaval e, principalmente, figuras femininas.
A recorrência de temas ligados a narrativas nacionais é fator caro à formação de um repertório visual voltado para síntese formal de elementos conhecidos de nossa cultura e sociedade. Di executou sua síntese de volumes e sinuosidades a partir de proposições das vanguardas modernistas europeias, em particular o Cubismo. A imagem que ilustra o cartaz atesta para a experimentação do artista em diálogo com essas correntes. A fragmentação dos elementos em cena, reduzidos a manchas, curvas, ou formas geométricas, constrói um espaço pictórico onde figura e fundo, forma e cor, se informam mutuamente.
Expoente da pintura brasileira, Di ocupa lugar de destaque por sua contribuição ativa na constituição de uma visualidade modernista imbuída de forjar uma nova identidade brasileira. Foi o primeiro a sugerir a realização de uma Semana de Arte Moderna em São Paulo, que exporia à sociedade paulista as novas proposições artísticas. Além de participar da Semana de Arte Moderna de 22 com 12 pinturas, ilustrou a capa do catálogo com um desenho em nanquim. Nesses 100 anos da Semana, o legado daquele pequeno grupo de artistas ainda ressoa na maneira pela qual compreendemos a produção cultural brasileira.
Legenda:
50 anos de arte: Di Cavalcanti, 1971
Organização de Diná Lopes Coelho
Reprodução de obra não identificada de Di Cavalcanti.
Foto por Patrícia de Filippi
Imagem com recurso de texto alternativo