A roda é coordenada por Claudionor Duarte, Danilo Oliveira e Mara Rita Oriolo
Mara e No eram dois colegas de trabalho que adoravam conversar sobre música, em especial sobre samba e sempre compartilhavam seus repertórios. Além de ouvir, eles também gostavam de tocar: não eram profissionais no assunto, mas não precisavam muito para fazer uma batucada. Em fevereiro de 2010, No,
aniversariante do mês, marcou sua festa no Bar Lua Nova Novo no bairro do Bixiga, que tinha acabado de ser reinaugurado e sob nova direção, e avisou todos os amigos para levarem seus instrumentos, pois rolaria uma improvisação musical. Mara foi ao seu aniversário e levou seu pandeiro e sua voz e, junto com outros colegas fizeram uma roda de samba e relembraram grandes compositores. Mara, empolgada com este encontro e com o local, marcou seu aniversário no mês seguinte com a mesma proposta: comemorar cantando e tocando. Após estas festas, No e Mara decidiram fazer estes encontros no bar de forma espontânea e convidaram seus amigos para o mês seguinte. Apareceram pra roda pessoas que tocavam e cantavam profissionalmente, bem como pessoas que gostavam de tocar mas não eram profissionais no assunto. Dentre os presentes estavam: Ligia Moreli, cantora e flautista; Renata Versolato, cantora e produtora; João Paulo Gonçalves, guitarrista e Léo Versolato, músico. O encontro foi avaliado positivamente e o próximo, marcado para o mês seguinte, maio de 2010. Desta forma, a dupla se propôs a se encontrar pelo menos 1 vez ao mês, para relaxar e curtir e fazer um som. Como a proposta era um encontro mensal, seguindo a sugestão de uma amiga comum (Kelly Adriano Oliveira), o nome do encontro ficaria como PELO MENOS 1 VEZ POR MÊS. E Kelly passou a ser a madrinha do samba! Como o encontro foi batizado, No e Mara também se propuseram a fazer um flyer de divulgação do mesmo. O primeiro flyer foi produzido no mês de maio de 2010 por Mara e seu amigo designer e fotográfo, Cassiano Cordeiro. Para proporcionar que outros também participassem da brincadeira, a dupla passou a convidar outros amigos para produzirem o material de divulgação e dessa forma, e a cada mês, um amigo era chamado para fazer o flyer. Os primeiros encontros tiveram uma grande participação de pessoas que cantavam e/ou tocavam percussão, mas quase não apareciam músicos de harmonia; os que mais compareciam eram Léo Versolato, Lucas Lolli e o João Gonçalves e isto comprometia um pouco o encontro. Os primeiros encontros aconteceram durante a semana, mas logo a proposta se estabeleceu num dia específico e bom para a dupla: a segunda-feira, que era o seu dia de folga. Aos poucos a roda foi tomando corpo e muitos amigos e colegas de trabalho da dupla passaram a comparecer assiduamente ao encontro como o Danilo Oliveira que virou nosso grande parceiro e é o Diretor da Roda. No entanto, por conta da agenda do bar, foi solicitado que o evento fosse transferido para outro dia, pois na segunda-feira não seria mais possível sua realização. Então, foi escolhido o domingo. Depois de um tempo, No e Mara acharam ser mais interessante determinar de forma mais específica este encontro e estabeleceu-se o primeiro domingo de cada mês para sua realização. A mudança para o domingo fez com que aumentasse o número de pessoas, tanto para tocar na roda quanto para curtir o som e o bar. Hoje a participação no evento é enorme, principalmente para se apresentar na roda, com uma circulação de 200 pessoas ao mês. Por conta do grande número de pessoas, a roda teve se aprimorar e se organizar melhor para contemplar todos que querem tocar e cantar. Desde o início de 2011, Mara tem estimulado as pessoas a não só cantarem e tocarem sambas de grandes compositores, como também de apresentarem as próprias composições. A roda passou a ser um encontro de grande importância para as pessoas que participam e que fazem do seu momento de apresentação, um momento de protagonismo frente uma sociedade que nos torna cada vez mais invisíveis e passivos. Apesar de não ter a característica de espetáculo, a roda acontece em volta de uma mesa, que é colocada sob o palco do bar, no intuito de liberar espaço para a grande quantidade de pessoas que comparece. Como o número de pessoas é muito grande, se amplifica as vozes e os instrumentos harmônicos, para que todos se ouçam, mas os instrumentos percussivos são tocados acusticamente. Logo após o aniversário de 2 anos do evento, o Bar Lua Nova fechou e o Pelo Menos teve que buscar um novo espaço...Passou pelo Bar Quintal na Vila Madalena, pelo CDC na Lapa coordenado por nosso parceiro de roda Cacá, pelo Aero Beer a convite do nosso amigo Daniel Pugin e pelo Bar Lamparina no Baixo Augusta. Depois de itinerar um pouco, resolvemos procurar um local mais central e graças ao nosso outro parceiro André Belizário, conhecemos o diretor Paulo Faria da Cia Teatral Pessoal do Faroeste e fomos muito bem acolhidos por este local de resistência cultural a partir de fevereiro de 2014, permanecendo lá até agosto de 2015. Havia uma necessidade da Companhia Teatral retomar suas apresentações aos domingos e acabamos encerrando nossa ocupação por lá...
Então, fomos convidados por um antigo amigo do samba que nos salvou uma vez no Bixiga...estávamos pensando em desistir por conta das ausências de músicos da harmonia. O convite veio pelo grande música Kico Nogueira, para fazermos nossa roda em seu bar, o Maracangalha, no Bom Retiro. Começamos o samba lá em novembro de 2015 e seguimos neste espaço até novembro de 2016. Após um ano no local e com nosso parceiro passando o bar para outro proprietário, optamos por buscar outro lugar. O sonho do Pelo Menos era uma dia poder voltar ao Bixiga, seu bairro de origem. Como Mara freqüentava o Bar Al Janiah na Rua Álvaro de Carvalho – um bar palestino com uma proposta muito bacana – e descobriu que ele se mudaria para o Bixiga em janeiro de 2017, pensou em tentar conversar com o dono Hasan Zarif. Para alegria de todos, o Hasan gostou da ideia de nos receber e estamos felizes de retornar ao Bixiga de Adoniram. A partir de fevereiro de 2017 estamos nesta casa que muito amorosamente nos recebe à Rua Rui Barbosa, 269. Em maio deste ano, no dia 07, nós completaremos 7 anos e estamos gravando os sambas autorais de compositores e amantes do samba para apresentar na festa de aniversário! E que venham mais 7 anos!