07/03/2026
A valorização da incompetência
Ao longo de todos estes anos observando e vivendo o mundo profissional e a sociedade, algo sempre me chamou profundamente a atenção: a curiosa valorização da incompetência.
No ambiente de trabalho, principalmente, espera-se que o reconhecimento seja consequência da competência, da capacidade de resolver problemas, de gerar resultados e de evoluir constantemente. No entanto, muitas vezes a realidade segue um caminho diferente.
O incompetente não nasce, necessariamente, como um problema isolado. Em muitos casos, o problema maior está em quem o contrata, o promove ou o mantém em posições de responsabilidade. Afinal, quando a incompetência é reconhecida e ainda assim tolerada ou premiada, ela deixa de ser apenas individual e passa a ser institucional.
O incompetente pode estar em qualquer esfera da sociedade: na política, na educação, na gestão de empresas ou em cargos de liderança. Para conquistar espaço, muitas vezes utiliza estratégias previsíveis — bajulação, exposição superficial, presença em fotos e eventos, construindo uma aparência de competência que não se sustenta na prática.
Pode até parecer o professor “amigo” dos alunos, o gestor “simpático”, o político “popular”, mas aparência jamais substitui competência.
Mas existe uma consequência ainda mais grave nesse processo: a perda dos bons profissionais. Quando pessoas competentes percebem que mérito não é reconhecido e que a incompetência é premiada ou tolerada, elas naturalmente se desmotivam, se afastam ou procuram ambientes onde seu trabalho seja valorizado.
Com isso, as organizações passam a sofrer uma inversão perigosa: os melhores saem e os piores permanecem. Aos poucos, a gestão deixa de ser baseada em competência e passa a ser sustentada pela mediocridade.
No fim, a verdadeira responsabilidade recai sobre quem escolhe. Quem contrata, quem promove, quem vota. Identificar a competência — ou a sua ausência — exige discernimento, coragem e responsabilidade.
Quando isso não acontece, o problema deixa de ser apenas a presença do incompetente. Passa a ser a incompetência ainda maior de quem o colocou ali.
Um ótimo final de semana para todos...