21/01/2019
O pedófilo se prevalece de uma relação de confiança com a vítima (esse vínculo pode ser preexistente ou criado premeditadamente). Ele calcula bem os seus passos e age de forma deliberada. Nessa tática de aproximação, o criminoso atua de maneira empática e envolvente, seduzindo a criança com elogios, oferta de dinheiro ou presentes (o abuso só é cometido depois). É por causa dessa proximidade consentida e do traço de afabilidade social do pedófilo que a revelação da identidade deste causa tanto escândalo. Afinal, quem desconfiaria daquele professor tão atencioso? Ou do pastor da igreja tão cândido? Ou do próprio tio, alguém de dentro de casa?! Como o pedófilo é alguém acima de maiores suspeitas, quase sempre a descoberta do crime só ocorre quando o estrago provocado pelo abuso sexual já está consumado, normalmente em estágio avançado e com terríveis consequências.
Definitivamente, a prevenção é o melhor caminho, e aí o papel da família é crucial. Nessa sociedade tão competitiva e acelerada, criar filhos dá um enorme trabalho e às vezes é fácil cair na tentação de terceirizar a tarefa. Portanto, para quem não deseja ver seus filhos adotados por pedófilos, é indispensável sedimentar laços de afeto e segurança e deixar o canal de diálogo sempre aberto com as crianças.
Recentemente, num documento intitulado “Carta ao povo de Deus”, o Papa Francisco assumiu a responsabilidade, em nome da igreja romana, pelas “atrocidades” cometidas por padres nos Estados Unidos, os quais, de acordo com relatório divulgado pela Suprema Corte da Pensilvânia, teriam abusado ...