(Flavia de Gusmão - Jornal do Commercio - 17/05/2013 - www.jconline.com.br - ano 95 - número 137)
A casa que estava bem danificada emergiu do projeto arquitetônico de Carlos Augusto Lira como um presente para o bairro do Parnamirim. Entre os vários aspectos positivos que um restaurante pode trazer a uma vizinhança este é um deles: devolver imóveis à plenitude de sua beleza. A casa em questão, dep
ois de uma longa reforma, passou a abrigar o Snaubar, uma proposta, curiosamente, tão simples, mas tão simples, que ainda não havia por aqui. E é justamente por ter conseguido captar esta essência despretensiosa e sedutora que a esfiharia e cervejaria conquista até o mais armados dos espíritos. A ideia do empresário fluminense Leonardo Mascarenhas era proporcionar prazer através da dupla imbatível comida árabe x chope bem tirado, o que é praticamente marcar um gol de pênalti. Para assegurar que o objetivo seria alcançado, ele convocou a consultoria do chef Guga Gustavo Ramalho Accioly (também o nome por trás da marca Kook de sais e pimentas importados), um estreante na vertente, mas que se mostrou um pesquisador empenhado e um executor meticuloso. O cardápio não é “criativo”, nem essa era a ideia desde o princípio. E por falar nisso, é bom começar pelo trio composto por coalhada seca, bababaganoush e hummus, todos finalizados com uma generosa regada de azeite, pimenta e sal Kook moídos na hora. Para acompanhá-los o “pão sírio” feito lá mesmo. As aspas são porque ele desobedece as receitas tradicionais e incorpora um pouco de farinha de milho no preparo. Licenças autorais, aliás, pontuam todo o menu. Como se a alma da culinária árabe ali estivesse, mas vestida para se ajustar às exigências locais. Ingredientes regionais vêm brincar de participar em quibes e esfihas, até mesmo nas kaftas (ou koftas). Uma das versões desses bolinhos de carne é preparada com uma mistura de acém e alcatra, temperada com coentro, cebolinha, alho e ervas aromáticas e ligada por uma manteiga de alho. A companhia é pasta à escolha e o inseparável pão sírio. As esfihas são, obviamente, as estrelas da casa e aqui elas ganham status de pizza, tantas são as combinações de sabores, doces e salgados. Os vegetarianos encontram também um ninho confortável, pois poucas culinárias valorizam também os vegetais, grãos e oleaginosas como a árabe (aliás, snaubar significa pinholes). Praticamente cada capítulo do menu oferece uma opção para os praticantes desta filosofia culinária.