19/10/2018
A denúncia que acaba de cair no colo de Jair Messias Bolsonaro contém um único objetivo - Narrativa...
A ideia é cristalina e repetida: o PT precisa sustentar que não há possibilidade de um outro candidato - especialmente um com ideias tão díspares - receber um amplo apoio popular sem praticar um golpe.
Foi o que aconteceu na derrota para Fernando Collor. A culpa foi da Globo e do seu debate manipulado.
Foi o que aconteceu na derrota para FHC. A culpa foi do Plano Real, que o Lula apelidava de “estelionato eleitoral”.
A tática é sustentar que o PT detém o monopólio do apoio popular.
Se a oposição vence a eleição, necessariamente o faz através da destruição da democracia - aquela que só o PT é capaz de governar.
E não estou dizendo que Bolsonaro não deve ser investigado. Pelo contrário. Caso o candidato do PSL tenha cometido um crime eleitoral, deve ser exemplarmente punido - inclusive com a cassação da chapa, caso a Justiça entenda dessa forma.
Não é, no entanto, exatamente disso que se trata toda essa história.
O que o PT deseja é construir uma narrativa distópica, surrealista, irreal: a de que todo apoio popular recebido por Bolsonaro - que impõe uma ampla diferença de votos para Haddad no primeiro e no segundo turno - é artificial, fake, mandrake.
A ideia não é sugerir que Bolsonaro seja punido porque atentou contra a legislação eleitoral - algo que o PT confessadamente também realizou nas últimas eleições (e o próprio Lula fez questão de relativizar o crime de caixa dois). O plano é induzir que milhões de pessoas só escolheram digitar o número de Bolsonaro numa urna porque foram manipuladas - e dessa forma, não há democracia que sustente essa eleição.
No fundo, o que o PT impõe - mais uma vez, em mais uma derrota - é que sem a interferência de agentes externos, o partido continuaria recebendo a benção da aclamação popular - o que é uma inegável insanidade.
Esta, sem dúvida, é a grande manipulação eleitoral do dia: ou há vitória do PT, ou não há democracia.
Por Rodrigo da Silva