23/12/2014
(via Orquestra Voadora)
Texto da Revista Barracuda sobre esse excelente clipe do Seu Pereira e Coletivo 401:
Durante pouco mais de uma semana, as redes sociais da banda Seu Pereira e Coletivo 401 vestiu-se de luto. O luto é pela morte dos integrantes do grupo, chacinados. A brincadeira mórbida tem uma razão de ser. O vídeo – meio clipe, meio curta metragem de baixíssimo orçamento – dispara fortes críticas contra os programas policiais sensacionalistas da hora do almoço. “Esse tipo de vídeo é comum na hora do almoço. Infelizmente nem todos são de ficção como este”, escreveu o vocalista Jonathas Falcão no Facebook.
Em tempos de violência nada mais pertinente. A brutalidade cotidiana, elevada ao status de espetáculo virou rotina e não causa mais estranhamento nem no mais sensível ser. Cabidela é uma crítica a tudo isso, e, em especial, ao desserviço prestado por “jornalismo” sanguinário e apelativo que se promove às custas da tristeza dos outros. “Como diz meu amigo Franz, pros que se abalaram com a notícia ficcional, isto é só uma pequena fração do que milhares de famílias sentem diariamente vendo amigos e parentes expostos em poças de sangue nos programas de TV. Na hora do almoço. Servidos à cabidela entre um anúncio de TV a cabo e uma queima de estoque”, diz Falcão.
CABIDELA s.f. Molho feito com o sangue da galinha tirado dela ainda vida. Galinha Cabidela - Prato típico do Nordeste brasileiro. Cheiro de sangue, rastro de...