07/06/2013
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A resistência an-atômica
Fios de cobre são transmissores de energia elétrica e, como quem tece um tapete oriental, Ale Gabeira articulou meticulosamente um sutiã trançando metros e mais metros desses fios. O bojo tem a forma de uma usina nuclear, daí o título do trabalho, sutiã atômico.
A obra não esconde os mamilos, está aberta para que eles exerçam sua função nutriente, que remete ao leite materno, primeiro alimento de todo ser humano. Assim os fios de cobre, transmissores de energia elétrica, tornam-se metáforas da energia atômica que pode destruir o mundo, criando um paradoxo com a função do seio materno, preservacionista da vida humana.
O sutiã criado pelo artista é um objeto performático – não para uso próprio, mas para uso do público! Algumas pessoas serão especialmente convidadas para vesti-lo. Outras deverão se candidatar por escrito – e serão escolhidas ou não através da análise, pelo artista, de suas intenções declaradas.
Todos os usuários e usuárias do sutiã energizado passarão por um rito especial de consagração, antes de colocarem essa obra de arte no peito.Tudo será registrado em vídeo, mas o ritual e a vestidura do sutiã não serão expostos ao público, que terá acesso somente ao documentário audiovisual do processo.
Trata-se de uma operação subversiva: contra o valor material que o capitalismo imprime à nossa força de trabalho, o artista transforma matéria em metáfora de pura energia. Ao mesmo tempo, nos propõe uma auto-análise coletiva da importância do seio que nos alimenta e nos faz experimentar as doçuras do amor enquanto genuína doação.
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As Figurinhas de Sutiã Atômico estão em exposição no Atelier FixosFluxos (Rua do Resende, 52 - Lapa) até 29/06/2013 e depois ficarão disponíveis na internet.
Criação: Ale Gabeira
Fotos: Viviane Werkahuser Rangel
Texto: Mário Margutti
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