16/05/2016
A comunidade do Aventureiro, na Ilha Grande/RJ, recebeu nos dias 15, 16 e 17 de abril de 2016 cerca de 200 pessoas para a sétima edição do Cinebola Caiçara. Neste ano, além da mostra de filmes sobre a temática caiçara, do torneio de futebol entre as comunidades e oficinas, ocorreu o II Encontro Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras.
O evento foi realizado pela SAPE, em conjunto com o Fórum de Comunidades Tradicionais, com a Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC) e com a comunidade do Aventureiro. .
Concebido e realizado pela cineasta Cecília Lang, o evento tem como objetivo fortalecer a identidade caiçara, valorizando os saberes tradicionais como norteadores de uma relação mais harmônica com o ambiente. A primeira edição ocorreu na Praia Grande da Cajaíba em 2004 e a segunda na Praia do Sono em 2005. A Praia do Aventureiro sediou o cinebola em 2006, 2007 e 2008. Em 2009 o evento ocorreu na Praia de Paraty Mirim.
Depois de 8 anos, o Cinebola retorna ao Aventureiro, agregando em sua programação o II Encontro Nacional Caiçara, o que proprorcionou uma ampla interação entre comunidades caiçaras de todo o país, além da presença também de outras comunidades tradicionais quilombolas e indígenas. De Paraty estiveram presentes as comunidades de São Gonçalo, Ilha do Pelado, Praia do Sono, Pousa da Cajaíba, Ponta Negra, Trindade e do Quilombo do campinho da Independência.
Angra dos Reis se fez representar pelos caiçaras do Aventureiro e do Frade, pelos Guaranis da Aldeia Sapukai e pelos quilombolas de Santa Rita do Bracuí. O Litoral de Sâo Paulo estava representado pelas comunidades de Ubatumirim, Enseada de Ubatuba, Castelhanos e Portinho de Ilhabela, Toque-Toque Grande e Montão de Trigo de São Sebastião, Iguape, Peruíbe e Cananéia.
A programação se iniciou na sexta-feira, dia 15/04, com o II Encontro Nacional Caiçara. O encontro tem como objetivos proporcionar uma ampla interação entre comunidades caiçaras de todo o país, fomentando uma rica troca de experiências, reafirmando a importância da manutenção desta cultura, seus territórios e práticas tradicionais.
Na noite de sexta teve início a mostra de filmes, sob curadoria de Cecília Lang, cineasta e coordenadora geral do Cinebola. A exibição teve início com o vídeo da Campanha "Preservar é Resistir - em defesa dos Territórios Tradicionais" e contou também com a exibição dos filmes produzidos pela SAPÊ no projeto "Nosso Filme", abordando temáticas presentes no cotidiano dos moradores de Angra dos Reis. O primeiro dia de programação findou com a apresentação do fandango caiçara.
O segundo dia de eventos se iniciou com a realização das oficinas de tratamento de águas servidas e de uma roda de conversa sobre turismo de base comunitária. A oficina de tratamento de águas servidas, também chamadas de "águas cinzas" - águas de pias e chuveiros - foi coordenada por Heder Schuab, da SAPE, que apresentou os princípios do método, baseado na permacultura, com a utilização preferencial de recursos presentes na comunidade e plantas que auxiliem no processo de filtragem das águas servidas.
A oficina instalou um sistema na residência de uma moradora da comunidade. A roda de conversa sobre turismo de base comunitária foi coordea=nada por Érica Braz, do Fórum de Comunidades Tradicionais.
Na tarde do sábado, começou o torneio de futebol. No masculino, jogaram os times das comunidades do Sono, do Pouso da Cajaíba, do Campinho da Independencia, do Quilombo do Bracui, do Aventureiro e de Provetá (Angra dos Reis). No feminino jogaram times das comunidades do Aventureiro e SAPE/comunidades.
Na noite do segundo dia teve continuidade a mostra de filmes caiçaras com diversos filmes realizados em comunidades da Ilha Grande e Paraty. Para encerrar a noite houve uma grande roda de ciranda comandada pelo grupo Cirandeiro de Paraty.
O último dia de programação terminou com o torneio masculino e feminino, vencido respectivamente pelo time do Bracuí no masculino e da SAPE/comunidades no feminino. A premiação e encerramento ocorreram no próprio local com a entrega dos troféus, confeccionados pelo artista plástico carioca Manoel Belford.
A qualidade da programação, a riqueza expressa nos depoimentos, o grande número de comunidades e parceiros envolvidos com a realização do evento, aponta um caminho de consolidação deste evento como um momento de encontro e fortalecimento das comunidades caiçaras.
A realização do VII Cinebola Caiçara foi possível graças ao apoio do Fundo Socioambiental CASA, do Observatório de Territórios Sustentáveis da Bocaina vinculado à Fundação Oswado Cruz, ao INEA, à UFF, à Prefeitura de Angra através da Cultuar, Turisangra, Secretaria de Meio Ambiente e Desesa Civil, ao Procidade, Sindocato dos Bancários, à Arena Cultura da Ilha Grande e a APA Cairuçu/ICMBIO.
Fonte: https://issuu.com/oecoilhagrande/docs/oeco_204_web