05/02/2020
A MORTE NÃO EXISTE 🖼
A idéia de homenagear Arnaldo Paes, morador das antigas e guia de turismo que adotou a Ilha Grande como seu lugar, nasceu como resposta a constatação de que a cultura caiçara foi formada da troca entre diferentes raças e culturas que precisavam se adaptar não só ao território, mas também uns aos outros.
Viver em comunidade sempre foi uma necessidade para os ilhéus, desde as civilizações mais remotas que deixaram seus sambaquis na ilhota entre as praias do sul e do leste, até os Tupinambás que dominaram o território na época dos chamados descobrimentos.
Quando os europeus quase exterminaram os indígenas da região, trazendo os africanos como mão de obra para os seus projetos expancionistas, esses também trouxeram suas tradições, plantas e sementes. Deixaram para traz suas famílias e histórias pra começar uma nova no chamado Novo Mundo.
Paes, que trazia no sangue e nos traços a herança da hereditariedade que um dia foi escrava, mas não deixou de amar e honrar a terra onde viveram e semearam.
Era um contador de histórias nato e, além das que viveu, aprendeu a recontar as lendas locais. Conhecia tudo sobre os passarinhos, ervas e frutos da terra. Não era da ilha, mas assumiu o seu lugar de amor e devoção até o último momento.
Foram inúmeras as entrevistas espalhadas pelo mundo, traduzidas em diversas línguas, valorizando a ilha e as tradições dos povos originários. Se bobear ele sabia mais do que muito badjeco!
Sua última obra de arte, trabalho voluntário, foi a recuperação da casinha de pau a pique, que ele mesmo construiu e se transformou num dos cartões postais da ilha.
Vai fazer muita falta com seu sorriso maroto guiando turistas admirados com o seu carisma, conhecimento e simplicidade. Até por isso sua entrada no Reino dos céus deve ter sido um lindo receptivo feito pelos antigos que ele honrava e tambem pelos antepassados africanos que deviam se orgulhar de todo o resgate cultural que seu descendente promoveu.
Faremos essa homenagem para perpetuar sua passagem pela ilha com um mural na rua Getúlio Vargas para que jamais esqueçamos que Abraão vem de ABRA, enseada que a que todos acolhe.
@ Vila Do Abraão - Ilha Grande - RJ